sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A vida continua (Parte II)

Com muito pesar, digo que não quero ir.
E vou lhes explicar exatamente o tal motivo para isso.
Nesta cidade, vivi os melhores momentos. Para falar a verdade, este ano foi o melhor ano de toda minha vida.
Fiz grandes amigos; amigos que jamais esquecerei. Amigos que fizeram da minha vida um lugar muito mais feliz. Quando for velhinha, já posso me imaginar contando as aventuras para meus netos, e eles rindo, achando graça daquelas coisas que falamos durante as aulas ou quando saímos.
Descobri paixões. Claro que algumas não duraram muito, exceto por uma. E esta é a principal razão para eu não querer ir embora.
Não irei falar o nome dele. Não irei falar nada demais, apenas... vocês verão.
Nunca me imaginei gostando desse garoto. Nunca achei que um dia iria sonhar com ele. Nunca me imaginei ao lado dele. Nem sendo amiga dele.
E todas as minhas amigas concordavam comigo. Nós não combinávamos. Não conversávamos e não tínhamos nada em comum.
Engano nosso. 
Temos muitas coisas em comum. Mas, ao mesmo tempo, poucas coisas.
Um dia, somos unidos. No outro, nem parece que nos conhecemos.
Um dia, é apenas "oi". No outro, conversamos o tempo inteiro quando nos encontramos.
E as meninas dizendo que combinávamos. Todos que nos conheciam diziam o mesmo.
Fofocas. Boatos. Mentiras.
Não sei quando comecei a amá-lo; foi quase como... natural. Nada forçado. Comecei a amá-lo pelo que ele era, e não pelo que diziam dele.
Foi impossível impedir. 
Me vi cada vez mais perdida, e me vi cada vez mais apaixonada.
Comecei a tentar esquecê-lo, por estar sofrendo. Entendam: não tenho sorte no amor. 
E, mesmo sendo o que dizem que sou, não adianta nada. Só consigo fazer amigos.
E talvez seja melhor mantê-los apenas como amigos.
Mas enfim, hoje digo a vocês: estou esquecendo-o. 
E estou feliz com isso. Ao menos, não o vejo todos os dias. Apenas algumas vezes, passeando pela cidade.
Estamos distantes, mas não sinto nada demais quando passo por ele. Nada que eu não possa controlar.Ele era, ao mesmo tempo, a razão pela qual eu queria ir embora, e a razão pela qual eu iria ficar.
Porém, minhas razões mudaram. 
Agora, eu quero ficar. Não por ele; mas por outros e outras. Garotos e garotas que realmente me mudaram, me aguentaram por três anos ou menos. Eles sim valem a pena.
Amigos. Eles são a verdadeira razão pela qual eu quero ficar aqui nessa cidade minúscula que eu odeio tanto.
Afinal, me responda você: de que adianta ir para uma cidade que você ama se não terá ninguém para dividir essa alegria?
Me desculpem os gaúchos, me desculpem meus irmãos de sangue farrapo, mas meu lugar não é mais no Rio Grande do Sul. Digo agora que meu "lar", meu "rancho" é em Santa Catarina. E mesmo que eu saia daqui, Santa Catarina nunca sairá de mim.

Mas se não houver como ficar, vou aceitar meu destino. Vou seguir de cabeça erguida, e vou viver, não apenas por mim, mas também por todos aqueles que aqui deixei.



Por: Bruna F. Baptista

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A vida continua. (Parte I)

Antes de qualquer coisa, gostaria de lhes dizer que essa história é verdadeira. Nela não há nada de extraordinário, e sei também que muitas pessoas passam por estes mesmos fatos que aqui vou relatar.
Não sei quando que tudo começou. Acho que foi a cerca de três anos atrás, quando eu ainda vivia em uma cidade do Rio Grande do Sul. Gostava bastante daquele lugar, não por ter nascido lá, e sim por causa das pessoas.Vivi naquela pacata cidade por cerca de 12 anos, então eis que meus pais resolveram mudar.
Em um primeiro momento, iríamos para Porto Alegre, e essa ideia me agradou. Porém, meu padastro resolveu vir para uma pequena cidade no norte de Santa Catarina fazer um pequeno serviço. O dono de uma fábrica local viu seu trabalho e gostou bastante, e o convidou para trabalhar nessa cidade. Meu padrasto aceitou. Então, minha mãe veio para conhecer a cidade, e adorou-a. Por último, vim eu.
Devo avisar que sempre fui a ovelha negra da família. Detestei a cidade desde o primeiro segundo que nela pus os pés. Era distante, pequena, e todos se conheciam. As escolas não tinham qualquer renome, exceto por uma ou outra. A vida deles melhorou, mas a minha foi de mal a pior.
Não conseguia me enturmar na escola; não encontrava alguém para desabafar e chamar de "melhor amiga". Acho que a única coisa boa que me ocorreu foi o grupo de dança.
Entrei em uma depressão profunda; não sentia mais vontade de nada. Um ano se passou; sem muitas mudanças. Sempre escondendo minha tristeza, até descobrir o poder das palavras. Foi neste momento que voltei a viver.
Foi mais ou menos na metade do ano passado: resolvi começar a escrever fanfics (uma história de algum livro/filme/série escrita por fãs). Todos que liam minhas histórias diziam que tinha talento, e eu procurava melhorar cada vez mais. Mal consegiua acreditar naqueles elogios! Não conseguia crer que eles diziam a verdade. Afinal, eu era uma iniciante! Nunca havia escrito um texto com intiuto de publicar; mal conseguia escrever uma redação para as aulas de português!
E a vida continuou. Encontrei nos textos a minha terapia. Consegui dar a volta por cima. Fiz novos amigos e amigas. Me apaixonei, e esqueci. Superei. Melhorei. Cresci e amaduresci.
Sétima, oitava série. Consegui passar com êxito para o primeiro ano do Ensino Médio. Continuei na mesma escola (contra minha vontade). E devo dizer-lhes que está tudo perfeito.
E como numa volta ao tempo, devo ir embora. Voltar para o Rio Grande do Sul; ir para aquele lugar onde era o destino inicial. Porto Alegre.
Com muito pesar, digo que não quero ir.