E vou lhes explicar exatamente o tal motivo para isso.
Nesta cidade, vivi os melhores momentos. Para falar a verdade, este ano foi o melhor ano de toda minha vida.
Fiz grandes amigos; amigos que jamais esquecerei. Amigos que fizeram da minha vida um lugar muito mais feliz. Quando for velhinha, já posso me imaginar contando as aventuras para meus netos, e eles rindo, achando graça daquelas coisas que falamos durante as aulas ou quando saímos.
Descobri paixões. Claro que algumas não duraram muito, exceto por uma. E esta é a principal razão para eu não querer ir embora.
Não irei falar o nome dele. Não irei falar nada demais, apenas... vocês verão.
Nunca me imaginei gostando desse garoto. Nunca achei que um dia iria sonhar com ele. Nunca me imaginei ao lado dele. Nem sendo amiga dele.
E todas as minhas amigas concordavam comigo. Nós não combinávamos. Não conversávamos e não tínhamos nada em comum.
Engano nosso.
Temos muitas coisas em comum. Mas, ao mesmo tempo, poucas coisas.
Um dia, somos unidos. No outro, nem parece que nos conhecemos.
Um dia, é apenas "oi". No outro, conversamos o tempo inteiro quando nos encontramos.
E as meninas dizendo que combinávamos. Todos que nos conheciam diziam o mesmo.
Fofocas. Boatos. Mentiras.
Não sei quando comecei a amá-lo; foi quase como... natural. Nada forçado. Comecei a amá-lo pelo que ele era, e não pelo que diziam dele.
Foi impossível impedir.
Me vi cada vez mais perdida, e me vi cada vez mais apaixonada.
Comecei a tentar esquecê-lo, por estar sofrendo. Entendam: não tenho sorte no amor.
E, mesmo sendo o que dizem que sou, não adianta nada. Só consigo fazer amigos.
E talvez seja melhor mantê-los apenas como amigos.
Mas enfim, hoje digo a vocês: estou esquecendo-o.
E estou feliz com isso. Ao menos, não o vejo todos os dias. Apenas algumas vezes, passeando pela cidade.
Estamos distantes, mas não sinto nada demais quando passo por ele. Nada que eu não possa controlar.Ele era, ao mesmo tempo, a razão pela qual eu queria ir embora, e a razão pela qual eu iria ficar.
Porém, minhas razões mudaram.
Agora, eu quero ficar. Não por ele; mas por outros e outras. Garotos e garotas que realmente me mudaram, me aguentaram por três anos ou menos. Eles sim valem a pena.
Amigos. Eles são a verdadeira razão pela qual eu quero ficar aqui nessa cidade minúscula que eu odeio tanto.
Afinal, me responda você: de que adianta ir para uma cidade que você ama se não terá ninguém para dividir essa alegria?
Me desculpem os gaúchos, me desculpem meus irmãos de sangue farrapo, mas meu lugar não é mais no Rio Grande do Sul. Digo agora que meu "lar", meu "rancho" é em Santa Catarina. E mesmo que eu saia daqui, Santa Catarina nunca sairá de mim.
Mas se não houver como ficar, vou aceitar meu destino. Vou seguir de cabeça erguida, e vou viver, não apenas por mim, mas também por todos aqueles que aqui deixei.
Por: Bruna F. Baptista