domingo, 27 de novembro de 2011

Só... Fria.

Há vários estilos de corações. Os fechados, os de uma porta, de duas; corações feito tílburi de praça, que ama a todos e todas.
E há, sim, outros tipos de corações. Corações que parecem ter “brinquedo” marcado a ferro em suas paredes. Que, quem está de fora, vê, usa, brinca, como uma boneca de panos; manipula, joga, faz estratégias para ganha-lo, e então, jogá-lo fora, feito um brinquedo há muito tempo usado e abusado.
Há o tipo de coração que não possui um nome.
Ele já foi tudo; já foi tílburi, já foi de uma porta, de duas, já se manteve fechado “para balanço”.
Muitos o chamam de “coração mutante”, mas acho que deve haver termo melhor. Só não o encontramos, ainda.
Este coração, o “coração mutante”, é o meu tipo de coração.
Ele tem uma leve batida; tão suave quanto a brisa. Quem está distante, não o escuta. Ele não se movimenta; não faz barulho. As pessoas, ao longe, não o entendem. Acham que não bate. Não sentem na alma a leve vibração que ele possui. Tão discreta, esta vibração... Tão... Modesta, tão... controlada.
Por fora, ele está inteiro. A porta, apenas encostada. As janelas (sim, ele possui janelas!), mostra a parte interna. Tudo muito bonito, tudo muito arrumado. Por fora.
As pessoas se aproximam dele facilmente, motivadas pela curiosidade daquele coração que parece não bater. Observam sua porta, sua única porta. A outra, escondida ao fundo, já está fechada há tanto tempo que quase não existe. Tocam nele; sentem seu ritmo suave; sentem seu pulso fraco. Olham por suas janelas.
Lá dentro, tudo escuro. A pouca luz que entra do exterior mal ilumina o chão. Por dentro, ele está machucado, está bagunçado, está machucado. Suas paredes internas – que um dia foram de um lindo vermelho-rubro; da cor de sangue, da cor da paixão – agora são acinzentadas.
Alguns curiosos ousam entrar. Outros, vão embora, com medo dos segredos que este coração esconde. Poucos entram e permanecem; ajudam a limpar a bagunça e a reconstruir este coração jovem, mas ao mesmo tempo tão velho...
Porém, estas que entram e permanecem, permanecem por um longo tempo, se não eternamente. Organizam-no, arrumam-no. Cobrem os buracos das paredes. Sentem suas batidas; aquele leve tamborilar suave. Eles sabem que ali há um refúgio. Limpam-no e ajudam--no. Pensam como é possível que haja um coração tão machucado, mas que ainda bate.
Este coração, que parece tão triste por dentro, que parece tão... Machucado, é um exemplo quase perfeito do coração mutante. Se este permanecesse sempre se modificando para o mesmo, e nunca fosse o mesmo.
Desculpe, meu coração é além disso. Ele é tão confuso quanto a personalidade da pessoa que o carrega. É tão confuso quanto eu.
Ao mesmo tempo que ele parece quase sem vida, da mesma forma que ele parece um coração que mal bate, ele é vivo. Tão vivo quanto qualquer coração vivente, que bata mais forte que bumbo no desfile de carnaval. Ele é forte; ele oferece conforto. Ele protege, ele se importa. Mesmo que seja com alguém de fora.
Quem precisar de algo, não precisa entrar e ficar; basta entrar por um tempo, e permanecer ali o tempo que precisar.
Não, não é um coração masoquista. Ele se importa com os outros corações, mesmo que esses outros não se importem com ele.
Este coração, que tanto se importa, costuma sofrer sozinho. Costuma tentar reparar-se sozinho. Mesmo que ele não esteja sozinho.
Melhor observando, e ouvindo, há uma leve música na batida suave como uma brisa. Há uma musicalidade nas paredes acinzentadas e esburacadas; há um ritmo nas vibrações cansadas e vívidas dele.
Há um leve tom de rosa nas paredes, atrás de toda a poeira cinza.
Sim, é apenas uma fase.
Ele sabe disso. Eu sei disso.
Sofrimento... Não. Saudades. Este é o motivo da cor cinza. Saudades de amores que um dia se foram. Pessoas que entraram nele sem fazer cerimônia, deixaram sua marca a ferro, disseram que nunca iriam sair dali.
Mas saíram. Sem dizer “adeus”. Sem apagar suas marcas.
Isso dói, mas sei que passa.
Um coração conselheiro, que cantava ao som de suas batidas.
Só... Fria. Só... Fria.
Só fria, as batidas. Elas cantavam isso, o tempo todo. E então, ao ver aquelas pessoas que marcaram suas paredes e se foram, tamborilavam mais rápido.
Só... Fria. Só... Fria. So... Fria. Sofria. Esta era a palavra formada por suas batidas.
Sim, sofria. Mas não, não é assim que deve ser. Ele aprendeu consigo mesmo, e com as pessoas que tentavam restaurá-lo, que não deveria manter isso dentro de si.
Sim, há as marcas, e daí? Estas pessoas que marcaram; vai saber se não há marcas nelas também?
Sim, devem haver marcas. Tantas marcas quanto o possível.
Só... Fria. Só... Fria. So... Fria. Sofria. Não. Está na hora de cortar alguns “efe’s”.
Só... Fria. Só... Fria. So... Fria. Sofria. Está errado. Não há nenhum “efe” em “sofria”.
Sorria. Sim, sorria.
So... Ria.
Estas batidas voltavam a ser controladas.
Só... Ria. Só... Ria. Sorria.
Sorria, sim. Sorria. Esta palavra agora é a música das batidas. Sorria. Sorria o máximo que puder, sorria para afastar estas marcas e transformá-las em cicatrizes.
Sim, SORRIA! Estas são as batidas.
As batidas de um coração humano, sem nome, sem cores, sem amores.






Por: Bruna Baptista.

sábado, 22 de outubro de 2011

Para vocês, que se acham normais.

Há alguns dias, ao chegar da escola, me deparei com uma cena no mínimo desagradável, para uma garota como eu.
Havia um grupo de cerca de sete garotos na esquina, e eu deveria passar por eles. Todos, sem excessão, me olharam dos pés à cabeça, e não se importaram com o fato de eu ser tímida, e olhar para o chão.
Sinceramente, me senti como se fosse um lixo. E isso é algo completamente desagradável.
Controlei-me para não correr, ou fazer algo ridículo. Apenas passei por eles, pisando firme, com a minha música no máximo, para não ouvir absolutamente nada, além do meu ritmo de caminhada.
Um vento acabou por soprar, me fazendo derrubar absolutamente tudo o que levava nas mãos. Meu rosto ferveu e eu desejei ter um boné da invisibilidade, ou que um buraco até o Mundo Inferior se abrisse e me engolisse.
Respirei fundo, e comecei a juntar tudo o que tinha nas mãos - minha pasta de ed. artística, o álbum de estudos sociais, três cartazes e um jogo de cai-não-cai - e tratei de respirar fundo (agora eu podia ouvir alguns daqueles garotos rindo, pois na confusão, meu fone de ouvido resolveu cair também).
Ao contrário do que muitos devem estar pensando, não me exaltei. Apenas juntei minhas coisas e entrei em casa. Afinal, eu pensei, para quê exatamente discutir? Eles têm o direito de rir de uma pessoa como eu, não? Não há culpa alguma em rir de uma atrapalhada.
É claro que há. Ninguém gosta de ser motivos de risos. A não ser que você seja um palhaço, o que não é o meu caso.


Enfim, resumindo tudo isso, vou lhes dizer porque este episódio rendeu este texto.
Enquanto juntava minhas coisas, pensei em quantas garotas e garotos como eu já não pagaram este mico. E quantas dessas pessoas não 'tinham algum problema em sua casa, ou dentro de si.
Quantas dessas pessoas já 'teriam sofrido bullyng? Ou quantas estariam sofrendo bullyng, naquele exato segundo? NESTE exato segundo? Quantas dessas pessoas não sentiram a mesma coisa que eu, aquela vontade incrível de sumir do mapa, de deixar suas coisas ali e simplesmente sair correndo?
Claro, eu não derrubei de propósito, eu derrubei por conta de uma distração; mas quantas pessoas que derrubam suas coisas na verdade o fazem para chamar a atenção? Ou também por uma distração?
E por que quem vê não ajuda, apenas ri? Essa é a nossa "sociedade igualitária"?
Desculpem, mas se isso for a sociedade "igualitária" - não apenas brasileira, mas a americana, a chinesa, coreana, enfim, a sociedade mundial - por favor, me tirem dessa.
Cansei de ser idiota, ou ser feita de.
Cansei de ver garotas e garotos tímidos sendo usados como objetos de riso. Por favor, isso é uma grande merda! Todos não são iguais? Não é isso o que dizem? Então por que existe o "julgamento"? Ah, fala sério.
Você, aí, que ri de pessoas "idiotas" feito eu e feito aqueles que usam óculos, aparelho, são tímidos ou usam roupas esquisitas na sua opinião, o mundo não é teu. E o lesado idiota aqui, é só você.

Só estou pedindo uma chance, por todas as pessoas que sofrem ou já sofreram algum tipo de preconceito e bullyng (escrevi errado?) de serem elas mesmas. Todas as pessoas são diferentes, e são especiais e perfeitas por isso.

sábado, 1 de outubro de 2011

Vamos pegar a estrada?


Escolha o seu destino. Vá em frente se quiser ir ao País das Maravilhas, ou tome a direção que quiser, para ir para o local que você quer. O que vale, é ser feliz durante o caminho, e quando chegar ao destino, não esquecer de quem você deixou para trás ou compartilhou a sua vida e o seu destino, mesmo que por um momento.

Amado Incondicionalmente.

Eu realmente esperei. Quer dizer, olhando para tudo o que vivemos, nós poderíamos ter dado certo, mas você rejeitou essa possibilidade; desculpa, não sei falar meias-palavras.
Claro, como você mesmo diz, comigo é "preto-no-branco". Não há tons de cinza. Mas falando de sentimentos, eu vejo diversos tons de cinza. Você não? Ah, que maravilha.
Eu realmente esperei. Te esperei. Mas me arrependi. Dois anos perdidos. Desculpa, estou decepcionada com você, e com tudo o que vivemos, ou melhor, não vivemos.
Isso parece contraditório? Estou me contradizendo? Eu sei que sim; mas você queria o que, exatamente? Um texto dizendo "ah, eu te amei tanto, e agora vou aceitar de bom grado a forma que você falou comigo no telefone, porque não importa; você está no México, e deve acreditar no que aquelas garotas falaram para você e sim, devemos nos esquecer, pois nada houve entre nós".
Por favor, você sabe que eu não sou desse tipo. Aliás, dê-se por bem-agradecido, pois controlei minha raiva ao telefone. Mas agora, vou "extravasar" toda ela.
Não, não vou falar palavrões. Não muitos.
Embora você não mereça a minha educação, não vou me rebaixar e irei manter uma fala simples, e direta.
Conhece aquela música "Rolling In the Deep"? Pois bem, ela cabe perfeitamente neste contexto.

Há uma chama incendiando o meu coração
Chegando a um estado de febre e me tirando do escuro
Finalmente, posso ver você claramente
Vá em frente e me traia e vou expor todos os seus podres
Me veja indo embora com cada parte sua
Não subestime as coisas que posso fazer
(...)
Me mantém pensando que quase tivemos tudo
(...)
Não consigo deixar de sentir
Que poderíamos ter tido tudo
(Você vai desejar nunca ter me conhecido)
Amando Incondicionalmente
(Lágrimas vão cair, Amando Incondicionalmente)
Você tinha meu coração nas mãos
(Você vai desejar nunca ter me conhecido)
E você brincou com ele no ritmo da batida
(Lágrimas vão cair, Amando Incondicionalmente)
Baby, não tenho história alguma para contar
Mas fiquei sabendo de uma sua e vou fazer sua cabeça ferver
Pense em mim nas profundezas do seu desespero
Jogue sua alma por todas as portas abertas
Conte com suas bençãos para encontrar o que procura
Transforme o meu sofrimento em ouro precioso
Você vai me pagar na mesma moeda e colher o que plantou
(...)
Você tinha meu coração nas mãos
Mas você brincou com ele
Você brincou com ele
Você brincou com ele
Você brincou com ele de acordo com a batida ¹

Hector, você não vai me esquecer. E você sabe disso. Arranjou desculpa para falar comigo daquela maneira; arranjou motivos para ser estúpido. E quer saber? Foda-se. Seja escroto o máximo que puder. Você mostrou sua real face, e fico feliz que tenha sido dessa forma. Porque se fosse pessoalmente, eu teria te dado um soco, quebrado o seu nariz e você estaria gemendo e chorando de dor, enquanto eu iria apenas rir da sua cara.
Mas não se preocupe, teremos tempo para isso. Muito tempo. E antes que você ou qualquer outro me entenda mal, isto não é uma ameaça ou qualquer coisa do tipo. Além de um desabafo, se trata de algo que sabemos que irá acontecer. Acredite, você arranjou "sarna para se coçar", e a cada dia que passar você vai se lembrar das minhas palavras ao telefone:
"Vá, mas não esqueça que eu vou cobrar cada segundo que você me fez perder".


Bruna B.














¹ Trechos da tradução da música "Rolling In the Deep" (Adele).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Paganismo X Satanismo (Parte 2)

Um dia, ao conversar com uma amiga, ela - sem saber minhas opções religiosas - comentou, cheia de si, que paganismo e satanismo eram a mesma coisa. Talvez daí venha a minha revolta, e talvez daí a atitude de criar este texto. Embora eu não tenha certeza se para ela deuses e demônios hajam diferença, não custa nada tentar abrir os olhos da pessoa. Sim, há o satanismo, antes que hajam perguntas. Este, sim, tão confundido com o paganismo, e tão diferente, há sacrifícios humanos e animais. Há o culto de demônios e tantos horrores que não me atrevo a pensar e muito menos imaginar.
Pois bem, a finalizar este texto/depoimento pessoal, digo a todos e a cada um, por favor, o preconceito é algo complicado de se lidar, e quando ele vem de pessoas próximas, se torna algo doloroso. No final das contas, o que quero atingir com todas essas palavras, talvez até um pouco vazias, é que, antes de julgar, se deve conhecer, e aceitar. Sofrer preconceitos não é algo incomum. Em algum momento, sempre sofremos com ele. Mas o preconceito, é algo que vem da falta de informação e do medo do novo. Por isso, não importa se você é cristão, protestante, pagão, espírita, maçon (maçom?) ou de qualquer outra religião, por favor, aceitem seus irmãos. Pois sinceramente, não há religião certa, e nem errada. Todas - ou a maior parte das - religiões pregam o amor. E o amor é o que importa.
Cansei de sofrer com o meu próprio preconceito e o preconceito dos meus. Pois, com a minha fé, sei que posso vencer. Posso estar pecando, eu e tantos milhões de pessoas, mas não nos importamos. O maior pecado é ser vítima de sua própria fé.

sábado, 17 de setembro de 2011

Paganismo x Satanismo (pt. 1)



O círculo estava formado. Haviam apenas duas opções.
A garota ruiva deu dois passos à frente, e se deitou diante do pentagrama de velas brancas. Essa era a escolha da vida dela, a Magia.

Estes relatos não são muito comuns. Mas por quê? Eu lhes digo.
No mundo ocidental, há um sério caso de desinformação. (A maior parte das pessoas) pensam que, se não é de sua crença (cristã, protestante, espírita, etc), é satânica. Não é bem assim. Por favor, parem de rotular crenças que não são iguais as suas! Nós também acreditamos em Deus! Apenas porque não temos a mesma visão d'Ele, não significa que sejamos satânicos.
Peço perdão para aqueles que não pensam dessa forma, que sabem da diferença entre nossas religiões e as respeitam. Peço perdão por terem de ler isto, mas quem me conhece de verdade, sabe que possuo minhas motivações para escrever o que estou escrevendo.
Em primeiro lugar, há diversas religiões pagãs. Tantas, que sou incapaz de citá-las aqui.
Porém, a principal diferença entre paganismo e satanismo é essa: o paganismo é baseado em amor. O satanismo, em ódio. Não matamos nada, nem ninguém. Respeitamos a todos, e principalmente, a natureza. Não julgamos ninguém pelo que é, no que crê ou pelo que tem.
Somos pessoas normais, temos vidas normais. Nos vestimos, falamos, nos divertimos, feito qualquer "cristão". Desculpem, não suporto hipocrisia. Cansei de ser vítima do meu próprio preconceito de ser ou não aceita apenas porque tenho opiniões religiosas diferentes.

O cheiro do incenso queimava nas narinas, mas trazia uma sensação de paz. Ela não estava sozinha. Finalmente, após tantas gerações de bruxas, ela poderia aceitar sua missão! 
Por um momento, ela sentiu a presença de suas antecestrais. Ela sabia que era acompanhada, e era isso o que importava.





Texto pequeno, podre, falta de inspiração e pressa. Idealizado pela Mary, então (Y)

Voltando à ativa.

Em primeiro lugar, não sei se haverá alguém para ler esta postagem. Se houver, obrigada. Se não... Bem, não vamos sair do assunto.
É do conhecimento de todo e qualquer um que entra neste blog que ele já não é atualizado há muito tempo. Essa situação vai mudar.
Passei por muitos problemas nos últimos meses. Felizmente, as coisas começaram a melhorar. Portanto, não prometo vir aqui toda a semana com um texto/postagem nova, mas prometo tentar me tornar mais ativa. Acho que não tenho mais nada a escrever aqui, apenas agradeço a quem visitou este blog enquanto desativado e desatualizado. Sinceramente, obrigada.
E bem-vindos de volta.

sábado, 16 de abril de 2011

Larissa, Pudim de Beterraba.

Minha eterna Marmota <3

Ai santo Apolo, viu? Tenho muita coisa pra falar sobre você, mas não sei como fazê-lo. Poxa, cerca de um ano de amizade, e cá estamos nós. Você está completando 17 aninhos, está fazendo cursinho, e não sabe que faculdade fazer. É. E sinceramente? Você se tornou parte de mim, você é tão especial pra mim que eu não saberia explicar.
Aguenta minhas crises todas as noites que conseguimos conversar; sabe como me aconselhar e surta comigo pelos motivos mais bobos possíveis, mas motivos que pra nós, não são nem um pouco bobos.
Lembra como nos conhecemos? Em uma fic. Bem, não lembro em qual fic era exatamente, mas lembro que fiquei um tempo sumida. Então, você apareceu em “O último amor”, e eu gritei tanto quando vi você lá, que não sei como não fiquei sem voz (-q). E depois disso, nunca mais desgrudamos, criamos uma amizade tão intensa e tão essencial que eu nunca, mas nunca mesmo, quero perder.
Só você mesmo pra querer ler meus livros antes mesmo de eu ter escrito eles, e só você mesmo pra me ouvir (ou ler) quando vou reclamar daqueles garotos idiotas e burros. Ah, somos azaradas nesse quesito. Ovelhas negras da família. Feias. Que tem inveja da Lindsay Lerman e que são perdidamente loucas pelo irmãozinho LINDO dela, o Logan. (hehe...)
Só você mesmo pra ouvir meus conselhos furados sobre garotos.
E quer saber? Somos felizes dessa forma mesmo. Vivendo em um mundo diferente, louco, com sua mãe pensando que sou uma psicopata pedófila (D: não sou uma psicopata pedófila). Porque nós somos Marmotas Marmoteiras Marmotadeiras \õ/
Meus deuses, me divirto tanto falando contigo e lendo tuas fics onde eu sou uma das personagens e fazemos muitas loucuras juntas... *-*
E ainda vou pra São Paulo te encontrar, pra gente fazer gluglu (-n).


Belive, Magic Works.
 Estávamos rindo, comentando sobre nossa inocência, quando o trem parou.
- Argh, que merda será que é tão difícil assim conduzir uma Maria fumaça? – Láls perguntou irritada, ela havia enfiado a varinha de alcaçuz que iria comer dentro do seu olho.
Sasá, a gatinha da Thâ, assustou-se com os gritos e saiu correndo pela posta do vagão que havia se aberto.
- Safira, volta aqui. – Tani saiu correndo atrás dela.
Suspirei indignada.
- O que houve? – Láls perguntou, ainda esfregando seu olho que havia sofrido o atentado da varinha de alcaçuz.
- Eu cansei de dizer pra ela: leva a Sasá dentro do casaco!
Láls me olhou como se eu fosse louca.
- O quê? – Me defendi. – É o melhor lugar para um filhote. Eu ainda levo a Briana dentro do casaco, olha. – Mostrei uma bolinha de pelos negros dentro do meu casaco.
- Você é louca! – Ela estava indignada.
- Hey, louca não! Apenas penso no melhor para a minha menininha.
- A Briana é outra louca. Ela ainda me ataca.
- Ah, isso é porque ela... Ela tem um pouco de raiva de bruxas que pisaram no rabo dela.
- Mas eu não... AH, AQUELA COISA PRETINHA NO CHÃO ANO PASSADO ERA A BRIANA?
- SHHHHHHHHH! Quer acordar ela? Era ela sim. – Falei, brava.
- Ai, acho que devo desculpas para ela.
- Desculpas não vão adiantar. Mas se você der uma tigela de leite e ração Wiskas, ela te desculpa.
Láls arqueou uma sobrancelha.
- Como você sabe disso?
Dei de ombros.
- Sem querer, nas férias, derrubei ela da cama. Ela ficou uma semana sem dormir comigo. Até que eu dei uma tigela de leite morno e wiskas. Ela voltou ao normal na mesma hora.
- Ah, gatinha interesseira!
- Não sei com quem aprendeu. – Falei.
- Não sabe, é?
Nos encaramos, e voltamos a rir. Ouvi um mio irritado, e percebi que havia acordado Briana.
- Ela acordou?
- Sim. – Falei.
Briana colocou sua carinha peluda para fora, olhou para Láls, e fez barulhos estranhos que os gatos bravos fazem:
- FFFFFFFFFFFFFSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! – Briana colocou suas unhas para fora ameaçadoramente. Fechei  o casaco, antes que ela decidisse pular na Láls, ou pior: sair pelo corredor.
- Onde está a Tani? – Eu perguntei.
- No mínimo, ainda procurando a Sasá. É difícil de achar aquela gatinha no meio das pessoas.
- Verdade... – Comentei. E me lembrei do ano em que tivemos de sair pela floresta proibida à noite procurar a Briana e a Safira, que haviam fugido.
- Será que vamos ficar parados por muito tempo? – Láls estava pensativa.
- Da última vez que pararam o trem, foi na época dos nossos avós. Vovô Weasley me contou. Pufosos entraram e atacaram o seu avô, o Sr. Potter.
- Pufosos? – Láls continha o riso.
- É, eu não lembro. Ou eram pufosos, ou dementadores, ou lobisomens. Ah, espera. Eu confundi. A história dos pufosos é do ataque do Voldy. Foram dementadores.
- Dementadores? Por que?
- Ah, se fossem pufosos, eles deveriam estar realmente raivosos. Então, foram os dementadores.
- Ah, faz sentido.
Paramos, e olhamos para o nada. Aguardando a Tani, a Sasá, ou pufosos raivosos. O que viesse primeiro.




Aaah, que saudades de escrever a BMW D:
Te amo muito mesmo, MINHA Keeminha *-*
TINHAMUTINHAMUTINHAMUENÃOMEMATAPORQUEEUCOLOQUEIOTÍTULO”LARISSA” –Q
<333

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Feliz Aniversário!

Para a melhor amiga de sempre.

Não sei qual será a sua reação ao ler este texto. Imagino que vá gritar e surtar. Hoje, 15 de abril, você completa seus 15 anos. Pelos deuses! 15 anos! Chegou na aborrecência, amiga.
Não posso imaginar o que você está fazendo para comemorar esse dia. Só sei que gostaria muito de estar aí, contigo.
Mesmo longe, desejo do fundo da minha alma tudo de bom e de melhor pra tua vida. Desejo que todos os teus sonhos se realizem, e rezo aos deuses que eles te dêem todas as alegrias do mundo.
Gostaria de me lembrar de todos os momentos que vivemos juntas. Ainda bem que me lembro. (rsrs)
Devo admitir que não gosto de pensar nesses momentos, pois eles me trazem lágrimas aos olhos.
Lembro-me de tantas fics que iniciamos, e jamais terminamos. Confusões em Massa, Alunas Novas e As Aventuras de Duas Deusas Desconhecidas com toda a certeza marcaram a minha vida! Até hoje eu lembro de certas cenas que me fazem rir sozinha quando me recordo.
Lembra do episódio do sutiã preto? E dos tantos cadernos comprados na tell? Mas o que mais me lembro, com toda a certeza, são dos dias de banho de chuva. Céus, tanta coisa! Coisas que nunca vou esquecer. Momentos que terei satisfação de contar aos meus filhos e netos.
Todas as vezes que brigamos, logo fizemos as pazes. Toda vez que acontecia algo, estávamos uma ao lado da outra.
Sempre que precisei, você estava comigo. Céus, nunca imaginei que teria uma amiga como você.
Sabe, Thani, mesmo longe uma da outra, as vezes sinto como se você estivesse ao meu lado. Por que quando tudo parece desmoronar, cair, ruir, eu lembro que um dia eu fui feliz. Que um dia eu tive uma amizade tão forte e profunda que me marcou de verdade. E, mesmo quando as pessoas dizem que “é apenas uma questão de tempo; você vai arranjar amigas novas”, eu tranco as palavras que tanto quero gritar: “Não, eu não vou. Nunca vai ter ninguém como as minhas antigas amizades. Nunca. Nem em um milhão de anos.”
Sabe, isso é verdade. Nem em um milhão de anos vai existir amiga tão sincera, leal, divertida e risonha, nem em um milhão de anos vou encontrar alguém que me suporte como tu me suporta até hoje.
Sempre que sinto muito a tua falta (todos os dias, é) eu fico pensando se tudo seria mais simples se eu nunca tivesse ido embora.
Na verdade, seria sim.
Fico pensando o que eu seria se nunca tivéssemos criado essa amizade.
Não sei onde estaria. Provavelmente, teria um sério caso de depressão, ou sabe-se lá mais o quê.
Faz ideia de como tu faz parte da minha vida? Faz ideia de como tu me ajudou a me encontrar?
Sinceramente, não há palavras que definam minha amizade para contigo. Não há palavras no mundo que possam explicar o que eu sinto; não importa quantos textos eu escreva, quantas vezes eu diga, nunca vai chegar nem próximo.
Você é mais que uma amiga; é mais que uma irmã de coração. Eu juro que ainda vou descobrir que a gente foi, sim, separada na maternidade. A diferença física é culpa do DNA. Mas o que é uma leve diferença de cor de pele, de cabelo, de olhos e de idade para gêmeas siamesas? –q
Te amo Best <3


E, sinceramente, não poderia deixar de colocar alguns trechos das nossas fics jamais terminadas.
Alunas novas.
- Me dá seus olhos?
A carruagem partiu, e eu e a Tani caímos sentadas no banco na frente deles.
EITA CU ! :X
- Sorte ou azar? – Yeah, eu disse alto *O*
Eles me olharam com uma cara de muito medo delas.
Tani interrompeu.
- Oi, meu nome é Tani e essa é minha irmã bruna e é ela é meio idiota :B.
- Igual a você – eu completei.
- Mamãe derrubou ela muito quando era pequena – Tani me lançou um olhar maligno.
- E você roia as grades do berço – mandei. :D
- ¬_¬’
- Idiota.
- Imbecil.
- Desculpa, a gente é...
- Nova aqui – uma completou a frase da outra.


Confusões em Massa.
- Hm... que má companhia novatas. – eu nem precisei que ninguém me falasse nada pra perceber que ela era a Karol, ela tinha os cabelos castanho escuro meio arruivado liso, olhos castanhos, e ela tinha até uma silhueta bonitinha mais...
- Cara, ela é gorda. – eu falei, só que saiu um pouco alto demais.
- Gorda? – uma das duas perguntou incrédula.
- Karol não é? – Tani perguntou.
- Sim loira de farmácia. – ela respondeu.
- é natural sua testralia gorda. – Tani falou furiosa.
- Não é gorda querida. – a mais loira falou. – é exesso de gostosura.
- Põem exesso nisso hein. – comentei. – se entrasse em uma piscina, não ia sobrar água alguma.

As Aventuras de Duas Deusas Desconhecidas
- Bru, que lugar é esse?
- Também quero descobrir.
Ela riu.
- Eles vão te mandar para fora desse lugar de novo?
- Não sei. Eu não sei nem o que nós estamos fazendo aqui.
- Talvez seja porque somos meio-sangues.
- Não, acho que é porque nós somos semideuses.
- É a mesma coisa, ô anta.
Sim, essa era minha irmã!
Eu ri um pouco.
- Pode xingar, mas não precisa ofender. Sua vaca loira.
- Humpf. Obrigado, vaca morena.
Ela virou a cara, e eu tentei falar. E ela disse:
- FALA COM A MINHA MÃO! – e enterrou a palma da mão na minha cara.
- Oi mão! – falei, tentando fazer ela rir. Deu certo. Ela riu, e me abraçou.
- Não quero que você vá para longe de novo.
- Hey, mas você vai se livrar de mim de novo!
- Ah, daí não vai ter ninguém pra eu incomodar de manhã. Assim não tem graça!
Fui abrir a boca para responder, mas Quíron apareceu.
- Bruna, está na hora.





Bem, é isso. E ainda vou ir para Mafra para nós irmos até o Seminário a pé e passar 50 vezes na frente da casa de uma pessoa x, -q.

Te amo muitão, irmã <3

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Considerações finais

Sei que isso é um saco. Poucas pessoas vão ler isso. Talvez nem leiam. Quem ler, talvez ache um pouco sádico. Mas sinceramente? Estes meses têm sido difícil. Nada me agrada. Este blog está sendo abandonado. Escreverei um último texto qualquer dia destes, então, darei um tempo. Peço desculpas àqueles que gostam de ler os textos daqui, mas peço que me entendam. A vida anda complicada. Não me sinto feliz. Deveria sim, procurar minha felicidade nos momentos mais escuros. Deveria me lembrar que as horas mais escuras da noite são aquelas que nos permitem ver melhor as estrelas. Mas não consigo.
Digo, claro que consigo. Mas não sinto vontade de nada. Desculpem, o desânimo tomou conta de mim. Não tenho mais inspiração para escrever textos. Pelo menos, não textos para blogs.
Toda vez que tento escrever algum texto, lembranças tomam conta da minha mente, e sinto vontade de escrever coisas depressivas e tristes. Como já é do conhecimento, mudei de estado, e isso tem sido difícil. Ainda não superei as dificuldades, e sequer tenho tempo para deixar minha imaginação fluir.
Escrever não é mais prazeroso. É torturante.
Escrever me trás à tona muitas lembranças. Lembro-me de quando comecei nessa loucura de querer ser escritora. Lembro-me de cada pessoa que me apoiou e me criticou.
Lembro-me de todas as pessoas que mesmo quando eu perdia a inspiração, conversavam comigo e me deixavam feliz e inspirada.
Preciso de um tempo, só isso.
Preciso de um tempo da escrita, do blog, da vida, de tudo!
Um dia voltarei com alguns textos. Mas acho que esse dia vai demorar.
Vou postar apenas mais um texto daqui a alguns dias, e então, tentarei ter uma vida normal. Me dedicarei aos meus estudos no magistério, e vou tentar superar todas estas lembranças e este início de depressão.
Enquanto isso, adeus.
Beijos, e lembrem-se de que há milhões motivos para sorrir. Mas nem sempre um sorriso significa alegria.



Por: Bruna Baptista.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

de volta à Dezembro.

Durante todo o ano aguardo por este maldito dia. Sempre o passo da mesma forma. Sorrisos falsos, agradecimentos e conversa fiada. Todos os anos era assim.
E, neste último ano, para minha alegria não foi assim.
Os sorrisos foram sinceros, os gritos também. As conversas jogadas fora, e o tempo perdido valeu a pena.
E, mesmo que eu me sentisse incompleta, foi feliz.
Adorável.
Pude ser eu mesma por um dia.
Pena que foi uma despedida.
Enquanto lembro daquele dia, lágrimas vêm aos meus olhos, e insistem em cair, e deixar meus olhos vermelhos e caminhos por entre minhas bochechas.
Amanhã faz dois meses que as vi juntas.
Toda a noite, antes de dormir, me pergunto a motivação por trás disso tudo.
Seguro as lágrimas. Já chorei demais. Está na hora de seguir em frente.
Me pergunto porque o destino faz isso.
Coloca pessoas ótimas em meu caminho, pessoas que nunca esquecerei, e então, como em um jogo de xadrez, faz sua jogada.
Cheque-mate.
Me arranca de lá como se eu fosse uma pena sob uma ventania. Me arranca de lá de forma tão abrupta que fico desnorteada. E, como de praxe, não choro em despedidas. Odeio elas.
Por mim, teria sido segredo, tudo seria um segredo. Mas não dá.
A dor é maior.
Não a dor de sentir falta; é a dor de saber que talvez aquele tenha sido o último dia com aquelas pessoas.
Isso é o que mais dói.
Ir embora não é nada. Lembrar dos momentos, e perceber que eles não terão volta é o que causa toda a dor.
As lágrimas insistem. Elas querem se derramar.
Não são apenas lágrimas de saudade; são lágrimas de incerteza, de medo, de receio. Esta é a minha sina.
Sentir falta.
Se sentir incompleta.
Lembrar de momentos incríveis, inesquecíveis, que um dia se tornarão apenas um borrão na memória.
Um dia, esquecemos. Dos nomes, talvez, não. Mas da voz, do jeito, da personalidade. As pessoas mudam. O mundo muda. Nossa mente muda.
Hoje, somos adolescentes problemáticas tentando mudar o mundo.
Amanhã, seremos escritoras, professoras, engenheiras, cantoras, musicistas e tudo o mais. Vamos conhecer outras pessoas, seremos amigas delas.
E então, apenas lembraremos da amizade em si. Dos textos escritos e imaginados. De uma série de paixõezinhas que vivemos todas juntas. Lembraremos das brigas, mas não dos motivos.
Conforme vem o tempo, vamos mudando.
Vamos esquecendo de como era ficar junto.
Nunca mais nos veremos. Não da mesma forma que nos víamos no dia 20 de Dezembro de 2010.
Mudamos. Talvez pouco, mas mudamos.
E todos os dias, todas as horas, eu volto para Dezembro.
Ver se consigo resgatar as sensações daquele dia. Os risos. Os gritos. As indignações. As conversas.
E, mesmo dois meses depois, não me lembro com muita nitidez.
Sinto que tenha que ser assim.
Peço perdão em nome da vida.
E agradeço os momentos de felicidade.
As lágrimas já caem como cascatas, enquanto tento lembrar e sentir como me sentia quando éramos apenas adolescentes despreocupadas, chorando por garotos idiotas e brigando por nada.
E rindo por causa da menor brisa.
É, fará muita falta.
Mudamos, queridas. Mudamos.
Nos tornamos mais adultas.
As decisões começaram a pesar.
Que tal voltarmos à Dezembro, e reviver aquele dia?
Mas só por um momento. Temos de seguir em frente. Dói, eu sei. Acreditem, eu sei.
Mas estaremos sempre aqui.
E aquele dia estará sempre lá.
De volta à Dezembro, para poder ser livre mais uma vez.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

isto eu prometo.

Uma claridade tênue cortava o breu de mais uma noite sem estrelas. Nestas noites - noites portadoras de más notícias -, nem a Lua, em sua magnífica beleza mística, ousava aparecer.
Os primeiros raios de Sol chegavam à Terra, mas era cedo demais para que o astro-rei mostrasse sua beleza. Naquela época - época de guerras civis -, não era difícil andar pelas vielas e ver restos de uma batalha sangrenta, que havia ceifado a vida de jovens, velhos e crianças, para além dos portões do Paraíso.
Pessoas inocentes morriam nesta guerra de poderes. De um lado, o povo. Do outro, homens de farda, com uma postura esnobe. Homens que davam a vida pelo império.
E era neste fogo-cruzado que uma garota simples, porém, de beleza singular, vivia com seu velho e doente pai.
Ela pensava nesta guerra, enquanto aguardava o mensageiro da vila.
Há dois dias ele não aparecia; ela começava a se preocupar. Aguardava uma carta que iria mudar sua vida, fosse para melhor ou não.
As mãos trêmulas mostravam aos olhos humanos o que se passava no seu coração. Apenas dezesseis anos possuía a jovem; mas tão velho coração sofrido batia em seu peito de modo lento e cansado.
Mais uma madrugada ela havia passado em claro; a xícara com o chá amargo quase lhe escorregava entre os dedos finos e calejados; os cabelos negros presos em um emaranhado de fios atrás de sua cabeça. Seu vestido já velho, sujo e rasgado aguardando o momento do descarte. E o coração da garota batia no ritmo em que o ar passava por seus pulmões.
Acompanhando a trajetória da estrela D'Alva, ela sorria, enquanto lágrimas lhe vinham aos olhos. De certa forma, ela esperava por más notícias. A guerra tinha retirado tantas vidas de seu curso...
Respirou fundo quando veio uma rajada de vento quente. Embora morasse no litoral, a garota não gostava das brisas que a alcançavam da praia. Ansiava pelo dia no qual ela se veria livre. E, por ela, esse momento seria nada além de agora.
Distraída nestes pensamentos, a garota não tomou conhecimento do tropel de cavalos que vinha ao longe.
Não se sabia se eram os mensageiros da vila, ou se eram novas tropas de guerra. Seja o que fosse, vinham em grande número, e o som que retumbava pela vila era mais assustador que qualquer grito de alma penada.
A garota sentiu o coração se inflar, querendo bater mais depressa do que era capaz. Sentiu uma dor desconfortável, mas não se importou. Não agora, ela pensou.
No horizonte, junto com os primeiros raios de Sol, ela viu o que mais esperava há dias: a Cavalaria enfim chegara à vila!, mas não havia forma de ter certeza absoluta.
O tropel ficou mais alto.
A garota começara a suar.
A aura de nervosismo dela era quase tangível.
Os cavalos se aproximavam. Ela já poderia reconhecer alguns cavaleiros. Entre eles, o tão esperado mensageiro. Enfim, ele veio!, pensava, controlando-se para não correr em sua direção.
Um cavalo negro parou defronte à ela, e anunciou seu nome. Se adiantando, ela tomou em suas mão uma unica carta. A carta tão esperada!
Leu o nome do remetente; sim, era dele.
Há alguns anos ela havia conhecido um belo soldado; jovem, poderoso, e, acima de tudo, rico. Estava lutando ao lado do governo. Os dois se sentiram atraídos um pelo outro; passaram alguns dias juntos na capital. E, quando a guerra estourara, ele lhe disse que viesse com ele; iriam fugir.
Sem pensar, ela aceitou. Seu pai estava à beira da morte, e a filha do vizinho havia se disposto a ajudar. Nesta carta deveria haver a forma que ela iria ao porto.
O mensageiro partiu, e a garota, com as mãos trêmulas, se sentou em uma velha cadeira de balanço na varanda.
Abrindo o singelo envelope, e raptando de lá a carta, as emoções dela se misturavam. Antes mesmo de ler a carta, ela estranhou algo.
A caligrafia era dele, mas a carta era formal, e dizia que agradecia por comparecer à capital para as tentativas de acordo entre ambas as partes dos guerreiros.
Até que ela percebeu uma nota atrás da página.
Era bastante simples, mas claro.

Nosso romance coloca o país em risco. Siga em frente, e seja feliz. Sinto muito.


Lágrimas vieram aos seus olhos, e caíram no papel com a caligrafia fina de seu amado.
Eu devia saber, ela pensava.
Adentrando a casa, mal percebeu quando um segundo papel caiu do envelope.
Pegou a vassoura e ia começar seu trabalho quando um vento anormal arrombou a porta, trazendo consigo a segunda carta.
Curiosa, ela abriu-a.
Era a folha de um jornal, datada do dia anterior.
Havia uma folha grudada a ele.

Caso minhas suspeitas se confirme, o rabisco dizia, enviem a notícia junto com esta carta. E digam que eu a amei até o fim. Eu prometi, e cumpri.


Levantando esta folha, tremendo mais do que nunca, estava estampado na primeira página do jornal áspero:

Navio para Londres bombardeado. Cinquenta pessoas mortas. Entre elas, o filho do General. 


O filho do General.
Não era possível.
Era o seu amado. Ele sabia de tudo, e abriu mão da garota para salvá-la da morte.
Ele havia prometido isso a ela pouco antes de partir.
Desta vez, as lágrimas que caíam de seus olhos era da mais profunda e sincera tristeza; o luto tomava conta de sua alma e ocupava toda sua mente. Deixou-se cair, sentindo uma dor tão profunda em seu coração, que imaginava que sua doença estava livre. Era questão de segundos até que desse seu último suspiro.
Sorrindo, ela se lembrou da promessa que havia feito a ele: assim que soubesse de sua morte, ela morreria. Apenas para ir ao seu encontro, na direção do Eterno.

O astro-Rei despontou no horizonte, com ar de luto. Seus raios de luz envolveram o corpo frágil e magro de uma garota, em uma varanda de uma casa simples.
Como quem soubesse da história dela e de seu amor, os raios acima da casa foram os mais brilhantes que se podia imaginar.
A vila chamou isso de milagre.
Mas, por causa de três palavras, duas vidas foram arrancadas de seu curso.
Isto eu prometo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lugar nenhum.

No Central Park, alguém me perguntou:
- Where are you from?
Tive de pensar.
Um minuto, ou um segundo?
Não há como saber.
Sorri, e respondi.
- Anyplace.
Finalmente, olhei para o rosto do questionador.
Ficar surpresa seria pouco para expressar como fiquei; meu queixo caiu, e meu mundo desabou.
Não, não é ele. Respire, e sorria. 
Fiz o que o bom senso me mandara, mas o bom senso não sabia o que se passava em minha mente.
Olhei novamente; sim, era ele.
Há anos não via mais seu rosto; tampouco ouvia sua voz.
Ele parecia diferente. Quinze anos haviam se passado.
Seu cabelo cor de areia estava mais escuro e cheio; o sorriso estava mais frio e menos aconchegante. Seus olhos... Eu não o reconhecia mais.
Seus olhos, antes da cor do mel, estavam endurecidos. O tempo havia o feito isso.
Uma delicada cicatriz marcava seu antes belo rosto.
A alegria juvenil o abandonara; o rosto cético de um engenheiro se mostrava.
Onde estava o meu garoto?
Ele voltou a sorrir. Um sorriso frio, e controlado. Um sorriso utilizado por um grande empreendedor, e destruidor.
Provavelmente esse era seu sorriso utilizado em reuniões, para mostrar que estava feliz com mais um contrato.
Sorri de volta, apenas por cortesia.
- Anyplace? No, it's impossible.
Respirei fundo.
Lembre-se, ele não é mais o seu garoto. Nunca foi.
Dei um sorriso afetado, e o encarei.
- É possível sim. Quando você não encontra um lugar no mundo, você não pertence a lugar nenhum. Portanto, você não é de lugar algum.
Ele pareceu assustado. De certo ficou impressionado.
Ele não se lembrara de mim.
Poderia ser pior?
Sim, poderia.
- É você mesma, Bonnie? - Agora eu podia ver um leve resquício de seu sorriso adolescente; um sorriso quente, e terno. Era o seu sorriso que havia me conquistado.
Haviam lágrimas se formando em meus olhos quando comparei o que ele era, e o que ele é agora.
- Sim, sou eu, Maurício. - Olhei no fundo dos seus olhos. - Mas você não é o mesmo.
Levantei do banco, em mais uma tranquila manhã no Central Park.
Ele tentou me seguir, mas não o fez. Não sei porquê.
Mas não importa; ele não é mais o Maurício.
Não mais o meu Maurício.
E então, resolvi voltar ao meu mundo.
Um mundo que não fica em nenhum lugar conhecido.
Um mundo que anda comigo.
Que vai do nada para lugar nenhum.









Talvez este seja o meu sonho; talvez este seja o meu destino.
Infinitos lugares; infinitas culturas.
Infinitas tristezas ou emoções. Estou apenas esperando pelo mapa do labirinto; estou esperando pelo mapa do mundo.
Um mapa que vai do nada para lugar nenhum.
Por: Bruna Baptista.