No Central Park, alguém me perguntou:
- Where are you from?
Tive de pensar.
Um minuto, ou um segundo?
Não há como saber.
Sorri, e respondi.
- Anyplace.
Finalmente, olhei para o rosto do questionador.
Ficar surpresa seria pouco para expressar como fiquei; meu queixo caiu, e meu mundo desabou.
Não, não é ele. Respire, e sorria.
Fiz o que o bom senso me mandara, mas o bom senso não sabia o que se passava em minha mente.
Olhei novamente; sim, era ele.
Há anos não via mais seu rosto; tampouco ouvia sua voz.
Ele parecia diferente. Quinze anos haviam se passado.
Seu cabelo cor de areia estava mais escuro e cheio; o sorriso estava mais frio e menos aconchegante. Seus olhos... Eu não o reconhecia mais.
Seus olhos, antes da cor do mel, estavam endurecidos. O tempo havia o feito isso.
Uma delicada cicatriz marcava seu antes belo rosto.
A alegria juvenil o abandonara; o rosto cético de um engenheiro se mostrava.
Onde estava o meu garoto?
Ele voltou a sorrir. Um sorriso frio, e controlado. Um sorriso utilizado por um grande empreendedor, e destruidor.
Provavelmente esse era seu sorriso utilizado em reuniões, para mostrar que estava feliz com mais um contrato.
Sorri de volta, apenas por cortesia.
- Anyplace? No, it's impossible.
Respirei fundo.
Lembre-se, ele não é mais o seu garoto. Nunca foi.
Dei um sorriso afetado, e o encarei.
- É possível sim. Quando você não encontra um lugar no mundo, você não pertence a lugar nenhum. Portanto, você não é de lugar algum.
Ele pareceu assustado. De certo ficou impressionado.
Ele não se lembrara de mim.
Poderia ser pior?
Sim, poderia.
- É você mesma, Bonnie? - Agora eu podia ver um leve resquício de seu sorriso adolescente; um sorriso quente, e terno. Era o seu sorriso que havia me conquistado.
Haviam lágrimas se formando em meus olhos quando comparei o que ele era, e o que ele é agora.
- Sim, sou eu, Maurício. - Olhei no fundo dos seus olhos. - Mas você não é o mesmo.
Levantei do banco, em mais uma tranquila manhã no Central Park.
Ele tentou me seguir, mas não o fez. Não sei porquê.
Mas não importa; ele não é mais o Maurício.
Não mais o meu Maurício.
E então, resolvi voltar ao meu mundo.
Um mundo que não fica em nenhum lugar conhecido.
Um mundo que anda comigo.
Que vai do nada para lugar nenhum.
Talvez este seja o meu sonho; talvez este seja o meu destino.
Infinitos lugares; infinitas culturas.
Infinitas tristezas ou emoções. Estou apenas esperando pelo mapa do labirinto; estou esperando pelo mapa do mundo.
Um mapa que vai do nada para lugar nenhum.
Por: Bruna Baptista.