sábado, 19 de junho de 2010

Mistérios

Em um dos bancos às margens do lago do Central Park havia uma garota sentada; seus longos cabelos loiros voavam sobre seu rosto, e ela parecia estar à beira das lágrimas. Essa garota bela, que tanto chamava atenção por onde passava, estava sofrendo. Uma batalha invisível estava sendo travada, e ninguém sabia.
Ela enxugou uma lágrima que insistia em cair teimosamente, borrando o pouco que ainda restara de sua maquiagem.Não sabia muito bem porque viera para aquele lugar em especial. Talvez o motivo fosse óbvio... Talvez o número de lembranças daquele lugar a deixasse feliz, ou talvez seja apenas porque naquele momento, o Central Park era o único lugar onde ela realmente queria estar.
O vento soprou com mais força, acompanhando o timbre perfeito de suas lágrimas, que caíam sem descanso.
Ela não sabia porque chorava, e não sabia o que havia acontecido antes de ela acordar no hospital.
As únicas coisas que ela sabia era que ela havia bebido demais, junto com seu amigo. Ele pegou o carro, e ela veio junto com ele; eles furaram alguns sinais, e, então, uma forte luz, e tudo escureceu.
Ao que os enfermeiros haviam contado a ela, ela sofrera várias fraturas, porém conseguiu sobreviver ao acidente. Já seu amigo não tivera tanta sorte. "Ele sofreu um traumatismo craniano" - disse-lhe a enfermeira. - "Não havia como ele sobreviver".
A garota olhava para o horizonte, o sol finalmente se pondo. Famílias felizes passavam por elas; crianças levando seus balões coloridos para todos os lados; os carros enxendo as ruas após mais um dia de trabalho. Pais e mães vinham levando pesadas mochilas; alguns pássaros cantavam; outros se banhavam no lago. Casais de idosos se sentavam ao pôr do sol e seguravam as mãos de ambos; casais jovens se beijavam vulgarmente. E a garota ali, sozinha.
Não sabia o porquê, mas queria que seu amigo estivesse ao seu lado. Ela ainda tinha tanto para lhe falar... E ele a deixara assim, repentinamente. Uma ânsia se apossou dela, e ela correu pelo Central Park, não sabia por onde, mas ela correu. Passou por diversas ruas, suas pernas ardendo com o esforço repentino, mas a garota não parou. As lágrimas caíam em um fluxo mais constante, lembrando-se de coisas que ela não havia dito para seu amigo.
Lembrava-se de quando fez a promessa de que nunca esconderia nada dele... E lembrou-se de quando se decobriu apaixonada por ele.
Naquele dia, - ela ainda era capaz de se lembrar como se fosse hoje - ela estava doente. Deitada em sua cama, ela aguardava anciosamente o momento em que seu amigo a visitaria para lhe contar o que aconteceu na escola, onde eles cursavam o último ano. Não fazia muito tempo - ela pensava - apenas dois meses antes da formatura.
Lembrava-se de como ela ficou quando ele chegou. E de como seu coração pareceu se despedaçar quando o viu com outra garota. Percebeu, naquele dia, de que seu amor por ele era mais do que um amigo.
Correu por mais algumas ruas, até que suas pernas fraquejaram, e ela caiu.  
Olhou para a rua onde ela havia parado, e percebeu ser a esquina onde ocorreu o acidente que levou seu amigo para longe dela. Chorou mais um pouco, e então, enxugando as lágrimas, ela olhou para uma pequena mancha que se parecia ser sangue, olhou para os lados, virou as costas para o local, e então, murmurou:
- Me desculpe, não fui sincera com você. Eu te amo.
Então, com seu coração ainda despedaçado pela perda, ela foi de volta para o Central Park, observar famílias inteiras, e pensando que talvez - apenas talvez - ela poderia ter tido a chance de estar ali com seu amor.








Por: Bruna Baptista.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

In Memorian

Esse texto é em homenagem à todos aqueles que um dia perderam um ente muito próximo e querido: seja um amigo ou parente, eles nos fazem falta mais do que podemos imaginar.

Aguardava o momento certo, a hora em que alguém viria e me diria "brincadeira!", mas não foi isso que aconteceu.
Esperei, sentada, a aceitação da verdade. Como pôde me deixar tão repentinamente assim? Começei a me recordar dos momentos que passamos juntas, e cada vez que penso neles, sinto vontade de chorar.
Não posso aceitar, não quero aceitar!
Esperei, incansavelmente, que alguém ainda me dissesse que era brincadeira. Mas ninguém me disse uma palavra. Ainda tentava conter algumas lágrimas, não podia me dar ao luxo de chorar na frente deles, embora estivesse corroída por dentro.
Aguardei até que todos saíssem, e então, me deixei chorar como nunca chorei.
Me lembrei de quando éramos mais jovens, e você me dizia em como era difícil a vida de adolescente, e eu zombava de você, dizendo que era simples como respirar... E quando eu precisei de ajuda, você estava lá. Minha eterna adolescente; você jurou estar para sempre do meu lado! E por que você não está aqui? Infelizmente, você não está aqui.
Algo pode ser pior do que saber que você nunca mais vai voltar? Acho que não... Será que poderia ser mais simples? Queria poder dizer uma última vez que te amo... Queria voltar no tempo e dizer que me arrependo de tê-la feito querer gritar, e gostaria de lhe dizer que sinto sua falta. Mais do que alguém possa imaginar.






Queria conseguir fazer um texto mais longo, mas eu não consigo muito bem. Peço que me perdoem se não ficou bom, eu realmente gostaria de fazer algo melhor. Porém, eu não consegui. Me emocionei ao lembrar de uma grande amiga minha, que deixou esse mundo no ano passado. Esse mês vai fazer um ano que perdemos ela :\

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Memórias

Um dia, enquanto andava pela rua, comecei a reparar nas pequenas coisas; borboletas e pássaros voavam de um lado para outro, completamente agitados. Crianças brincavam pelas ruas, sob o vigiar constante dos pais. Sorri levemente, enquanto uma brisa suave acariciava meu rosto. Respirei fundo, e lembrei-me de cada segundo de alegria. Não me cansei de observar a natureza, e nem de pensar em como tudo parecia diferente.
Uma pequena nuvem escura quebrava o azul límpido do céu, mas ninguém parecia se acovardar diante daquela pequena nuvem - afinal, o que pode ela fazer neste dia de sol?- e, por isso, ninguém moveu-se.
A chuva caía fina, e algumas pessoas retiravam-se para seus aposentos. Eu permaneci na rua, a observar as mudanças. Como num súbito, lembrei-me de minha família e dos amigos que deixei para trás quando saí da minha pequena cidade para tentar a vida no exterior. Lembrei-me das vezes em que eu achava que tudo estava perdido, e quem eu menos esperava me fazia sentir que eu poderia ser feliz. Esperava, pelo menos mais uma vez, encontrar-me com eles, e esperava também que eles soubessem que eu sempre os amarei.
Aprendi, então, embora involuntariamente, que não há nada melhor que a companhia dos amigos; que não há nada como ser feliz com apenas um sorriso; que nós temos o controle de tudo; que não existe nada como o carinho de um pai ou uma mãe; e que a vida que nós tanto queremos jamais vai vir, a não ser que a procuremos.
Tentei fazer um esforço e lembrar-me de cada rosto de meus antigos amigos do colegial, mas poucos me vinham a mente, e desapareciam mais rapidamente ainda. Embora esses pequenos flashes de memória me deixassem nervosa, eu ainda assim tentava me lembrar de alguns acontecimentos. Fui me lembrando e revivendo-os aos poucos, e, novamente, aprendi que mesmo que nós queremos que tudo volte, cada um seguiu seu próprio caminho. E, assim, naquele final de tarde, sob uma chuva fina, aguardei o tempo passar, pensando cada vez mais no meu passado, e ciente de que as lembranças que eu tenho jamais farão parte do meu presente.
A chuva parou logo que a noite mostrou sua beleza, e junto com as estrelas, resolvi seguir em frente - mas dessa vez, junto com minhas lembranças - e resolvi que não poderia deixar de lembrar de cada momento feliz que marca tanto meu passado. Só espero mantê-los vivos em minha memória...








Por: Bruna F. Baptista.