quarta-feira, 2 de junho de 2010

Memórias

Um dia, enquanto andava pela rua, comecei a reparar nas pequenas coisas; borboletas e pássaros voavam de um lado para outro, completamente agitados. Crianças brincavam pelas ruas, sob o vigiar constante dos pais. Sorri levemente, enquanto uma brisa suave acariciava meu rosto. Respirei fundo, e lembrei-me de cada segundo de alegria. Não me cansei de observar a natureza, e nem de pensar em como tudo parecia diferente.
Uma pequena nuvem escura quebrava o azul límpido do céu, mas ninguém parecia se acovardar diante daquela pequena nuvem - afinal, o que pode ela fazer neste dia de sol?- e, por isso, ninguém moveu-se.
A chuva caía fina, e algumas pessoas retiravam-se para seus aposentos. Eu permaneci na rua, a observar as mudanças. Como num súbito, lembrei-me de minha família e dos amigos que deixei para trás quando saí da minha pequena cidade para tentar a vida no exterior. Lembrei-me das vezes em que eu achava que tudo estava perdido, e quem eu menos esperava me fazia sentir que eu poderia ser feliz. Esperava, pelo menos mais uma vez, encontrar-me com eles, e esperava também que eles soubessem que eu sempre os amarei.
Aprendi, então, embora involuntariamente, que não há nada melhor que a companhia dos amigos; que não há nada como ser feliz com apenas um sorriso; que nós temos o controle de tudo; que não existe nada como o carinho de um pai ou uma mãe; e que a vida que nós tanto queremos jamais vai vir, a não ser que a procuremos.
Tentei fazer um esforço e lembrar-me de cada rosto de meus antigos amigos do colegial, mas poucos me vinham a mente, e desapareciam mais rapidamente ainda. Embora esses pequenos flashes de memória me deixassem nervosa, eu ainda assim tentava me lembrar de alguns acontecimentos. Fui me lembrando e revivendo-os aos poucos, e, novamente, aprendi que mesmo que nós queremos que tudo volte, cada um seguiu seu próprio caminho. E, assim, naquele final de tarde, sob uma chuva fina, aguardei o tempo passar, pensando cada vez mais no meu passado, e ciente de que as lembranças que eu tenho jamais farão parte do meu presente.
A chuva parou logo que a noite mostrou sua beleza, e junto com as estrelas, resolvi seguir em frente - mas dessa vez, junto com minhas lembranças - e resolvi que não poderia deixar de lembrar de cada momento feliz que marca tanto meu passado. Só espero mantê-los vivos em minha memória...








Por: Bruna F. Baptista.

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