Durante todo o ano aguardo por este maldito dia. Sempre o passo da mesma forma. Sorrisos falsos, agradecimentos e conversa fiada. Todos os anos era assim.
E, neste último ano, para minha alegria não foi assim.
Os sorrisos foram sinceros, os gritos também. As conversas jogadas fora, e o tempo perdido valeu a pena.
E, mesmo que eu me sentisse incompleta, foi feliz.
Adorável.
Pude ser eu mesma por um dia.
Pena que foi uma despedida.
Enquanto lembro daquele dia, lágrimas vêm aos meus olhos, e insistem em cair, e deixar meus olhos vermelhos e caminhos por entre minhas bochechas.
Amanhã faz dois meses que as vi juntas.
Toda a noite, antes de dormir, me pergunto a motivação por trás disso tudo.
Seguro as lágrimas. Já chorei demais. Está na hora de seguir em frente.
Me pergunto porque o destino faz isso.
Coloca pessoas ótimas em meu caminho, pessoas que nunca esquecerei, e então, como em um jogo de xadrez, faz sua jogada.
Cheque-mate.
Me arranca de lá como se eu fosse uma pena sob uma ventania. Me arranca de lá de forma tão abrupta que fico desnorteada. E, como de praxe, não choro em despedidas. Odeio elas.
Por mim, teria sido segredo, tudo seria um segredo. Mas não dá.
A dor é maior.
Não a dor de sentir falta; é a dor de saber que talvez aquele tenha sido o último dia com aquelas pessoas.
Isso é o que mais dói.
Ir embora não é nada. Lembrar dos momentos, e perceber que eles não terão volta é o que causa toda a dor.
As lágrimas insistem. Elas querem se derramar.
Não são apenas lágrimas de saudade; são lágrimas de incerteza, de medo, de receio. Esta é a minha sina.
Sentir falta.
Se sentir incompleta.
Lembrar de momentos incríveis, inesquecíveis, que um dia se tornarão apenas um borrão na memória.
Um dia, esquecemos. Dos nomes, talvez, não. Mas da voz, do jeito, da personalidade. As pessoas mudam. O mundo muda. Nossa mente muda.
Hoje, somos adolescentes problemáticas tentando mudar o mundo.
Amanhã, seremos escritoras, professoras, engenheiras, cantoras, musicistas e tudo o mais. Vamos conhecer outras pessoas, seremos amigas delas.
E então, apenas lembraremos da amizade em si. Dos textos escritos e imaginados. De uma série de paixõezinhas que vivemos todas juntas. Lembraremos das brigas, mas não dos motivos.
Conforme vem o tempo, vamos mudando.
Vamos esquecendo de como era ficar junto.
Nunca mais nos veremos. Não da mesma forma que nos víamos no dia 20 de Dezembro de 2010.
Mudamos. Talvez pouco, mas mudamos.
E todos os dias, todas as horas, eu volto para Dezembro.
Ver se consigo resgatar as sensações daquele dia. Os risos. Os gritos. As indignações. As conversas.
E, mesmo dois meses depois, não me lembro com muita nitidez.
Sinto que tenha que ser assim.
Peço perdão em nome da vida.
E agradeço os momentos de felicidade.
As lágrimas já caem como cascatas, enquanto tento lembrar e sentir como me sentia quando éramos apenas adolescentes despreocupadas, chorando por garotos idiotas e brigando por nada.
E rindo por causa da menor brisa.
É, fará muita falta.
Mudamos, queridas. Mudamos.
Nos tornamos mais adultas.
As decisões começaram a pesar.
Que tal voltarmos à Dezembro, e reviver aquele dia?
Mas só por um momento. Temos de seguir em frente. Dói, eu sei. Acreditem, eu sei.
Mas estaremos sempre aqui.
E aquele dia estará sempre lá.
De volta à Dezembro, para poder ser livre mais uma vez.
ain amor D:
ResponderExcluireu chorei muito quando li esse texto;
Apesar de fazer dois meses que não nos vemos você sempre continuará na minha mente, para sempre; podem se passar dois dias, meses, anos, décadas, séculos e você sempre, sempre vai ser a minha, a minha Bruna a minha vaca aquela que sempre me apoiou, e eu nunca, nunca irei te esquecer e nunca irei esquecer dos momentos que juntas passamos ♥
eu sinto a mesma coisa D:
ResponderExcluireu nem tenho o que dizer, teu texto (perfeito como sempre) diz tudo.
Eu to com saudades, mas eu ainda lembro das coisas que a gente fazia, talvez não nitidamente, mas isso já basta. Sinto falta das nossas idiotices juntas D: saudades de você ;x