terça-feira, 16 de julho de 2013

Ecos

Ecos.
O som da minha própria respiração parecendo algo irreal. “Bastarda!” – gritavam os ecos. “Idiota!” – o mundo girava. Não, não era o mundo girando. Era eu.
“Eu posso vê-la... Se esconda!” – corri aos tropeços até a primeira porta que surgiu em minha frente. Subi uma escadaria íngreme. Os ecos me acompanhavam – a cada segundo eram mais altos. Cada degrau vencido era uma nova acusação.
A escadaria chegou ao fim. Estava parada no terraço de um dos pequenos prédios residenciais do centro da cidade. “Pule” – os ecos disseram. “Pule – você não fará falta”. Andei em linha reta. Preciso fazê-los calarem-se. Andei calmamente até não sentir o concreto sob meus pés. Deixei meu corpo cair livremente; os ecos rindo histericamente em minha mente. O solo chegando cada vez mais próximo, e... Nada. Escuridão. “Me livrei deles” – pensei. Não sentia nada. Apenas um suave formigamento na parte de trás da minha cabeça. Consegui fazer meus olhos se abrirem; os prédios tomando forma lentamente. E então...
Ecos.

O som da minha própria respiração parecendo algo irreal. “Bastarda!” – gritavam os ecos. “Idiota!” – o mundo girava. Não, não era o mundo girando. Era eu.







Bruna Baptista.

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