Ecos.
O som da minha própria respiração parecendo algo irreal. “Bastarda!”
– gritavam os ecos. “Idiota!” – o mundo girava. Não, não era o mundo girando. Era
eu.
“Eu posso vê-la... Se esconda!” – corri aos tropeços até a
primeira porta que surgiu em minha frente. Subi uma escadaria íngreme. Os ecos
me acompanhavam – a cada segundo eram mais altos. Cada degrau vencido era uma
nova acusação.
A escadaria chegou ao fim. Estava parada no terraço de um
dos pequenos prédios residenciais do centro da cidade. “Pule” – os ecos
disseram. “Pule – você não fará falta”. Andei em linha reta. Preciso fazê-los
calarem-se. Andei calmamente até não sentir o concreto sob meus pés. Deixei meu
corpo cair livremente; os ecos rindo histericamente em minha mente. O solo
chegando cada vez mais próximo, e... Nada. Escuridão. “Me livrei deles” –
pensei. Não sentia nada. Apenas um suave formigamento na parte de trás da minha
cabeça. Consegui fazer meus olhos se abrirem; os prédios tomando forma
lentamente. E então...
Ecos.
O som da minha própria respiração parecendo algo irreal. “Bastarda!”
– gritavam os ecos. “Idiota!” – o mundo girava. Não, não era o mundo girando. Era
eu.
Bruna Baptista.
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